Teresa
Parto da Teresa Bedê
Nascimento da Alice
19/09/2018
Desde que descobri que estava grávida percebi que tudo em volta havia ficado diferente e que minha função no mundo tinha mudado pra sempre e pra melhor.
Nos votos de nosso casamento, Rafael me pediu pra concebermos Alice em nossa lua de mel…15 dias depois disso ela já estava com a gente…fruto do nosso amor, laço eterno de nossas vidas!
Em janeiro minha menstruação atrasou pela 1a vez, resolvi esperar alguns dias, sem contar a ninguém e fingir que estava tudo normal. Rafael já controlava “minhas regras” e tinha App no celular de tabelinha, mas lhe disse que ela tinha descido. Ele frustrado, eu ansiosa…passamos o fds em Saquarema e no domingo a noite comprei um teste de farmácia sem que ele visse. Quando ele foi levar meu enteado para a casa da mãe resolvi fazer o teste sozinha. Positivo…E agora? Choro, nervoso, felicidade…mas ainda sem acreditar mandei foto para Dr Rodrigo (GO) que me deu os parabéns! Mas eu, achando bom demais pra ser verdade, lhe pedi para fazer o beta. Na 3a, botei roupa de academia para continuar disfarçando, fui buscar o pedido do beta no consultório e de lá fui direto para a coleta no laboratório… durante a espera do resultado resolvi organizar as coisas pra contar pra Rafael. Comprei uma roupinha de bebê, um quadrinho que diz “Qd 2 corações batem juntos o 3o é concebido” e uma caixa de presentes. Fim do dia olhei na internet: Positivo, grávida de 4-5 semanas! Rafael chegou em casa e eu, com o celular filmando escondido, lhe entreguei a caixa.. então choro e riso se tornaram um só…motivo: nosso bebê!
A gestação foi tranquila…tive alguns enjoos, sono, dores na costela…mas tudo super controlável e dentro do esperado. Minha rotina de trabalho dobrou, mas mais do que nunca eu me sentia viva e capaz de aproveitar cada dia com o máximo de disposição…afinal, eu estava grávida, gerando um ser humano super desejado e fruto de uma relação muito saudável. Logo no início decidimos que meu desejo de ter um parto domiciliar seria prioridade. Contratamos a Equipe Ohana, na qual minha amiga pessoal Paolla faz parte com outras duas EO, ambas chamadas Natália. Começamos a planejar tudo e achei que não era necessário uma Doula. Passados 4 meses me senti despreparada de informações e decidi procurar grupos de doulas pra conhecer melhor do que se tratavam. Foi aí que nasceu nosso amor e eterna gratidão pelo Fardo de Ternura. Fernanda, Camille e, principalmente Tamara, se tornaram fundamentais nesse processo…gravidez, parto e relação matrimonial se tornaram mais tranquilos e prazerosos com as rodas e consultas do Fardo! Com 38 semanas de gestação eu já não trabalhava mais e meus dias eram preenchidos por Netflix, arrumação de quarto e malas e, espera de Alice…nesse período eu já sentia cólicas e contrações sem frequência definida. Com 40 semanas, meu tampão começou a sair, mas sem alardes fiz uma ultra de rotina, descobrimos uma pequena diminuição do líquido amniótico e uma possível necessidade de parto hospitalar. Toda a calma da gravidez se transformou em ansiedade e tive que repetir o exame no dia seguinte dps de litros de água…tudo certo, exame normal, voltemos para a espera do parto vaginal em casa. Agora a espera era um tormento e decidimos começar as induções…chá da Naolli (inicio em13.9) acumpultura (17.9) e um descolamento de membrana que não foi possível pois o colo estava alto e grosso (18.9)…seguimos frustrados pq há duas semanas meu corpo já dava sinais constantes de que Alice estava vindo mas sem o descolamento tudo parecia ter sido em vão. Conversando com Tamara decidi tirar um dia de folga: fui pra casa de uma amiga, almoçamos no shopping e fomos ao cinema juntas…voltei pra casa pra trocar de roupa e fui com Rafael para uma consulta coletiva do Fardo onde teria minha 3a despedida de barriga. Lá, fiz xixi e no papel um tampão com sangue pela 1a vez…algo diferente, mas continuei sem me empolgar, afinal estava relaxada depois de dias de tensão. Fomos pra casa dormir e 1:10 acordo por conta de uma contração que me deixa sem posição na cama e com vontade de vocalizar. Isso se repete mais duas vezes, decido ir pra sala pra não acordar Rafael e contar as contrações. Às 3h ele sente minha falta e, me vendo com dor, já liga pra Paolla e pra Tamara pedindo orientação. Se dependesse dele todas já estariam lá em casa esta hora, mas eu não quis e as duas só chegaram às 6h…só pra uma avaliação…achei que iriam embora em seguida, mas quando percebi que elas resolveram ficar entendi que tinha chegado a hora: estava em trabalho de parto! Chegaram aos poucos Fernanda e Camille (doulas), Nathália (outra EO) e Rita (fotógrafa e puérpera do Fardo). Minha mãe e nosso cachorro Thor também estavam no cenário do mais lindo episódio de nossas vidas. Segui com contrações doloridas que me faziam agaichar e vocalizar cada vez com mais intensidade. Aos poucos eu não tinha mais vontade de ficar na cama, minha playlist me incomodava e nenhum lanche que eu havia comprado pra este dia me apetecia. Entretanto, eu me sentia a mulher mais importante e feliz do mundo naquele momento. Meio dia entrei em TP ativo, os gritos que vi em vídeos de parto já saiam de mim naturalmente até que veio o cansaço junto com a vontade de parar pra não sentir mais dor…mas fazer o quê? Hospital? Cesaria? Ninguém iria me sugerir…estava tudo perfeito para o que tínhamos planejado…eu estava bem, Alice estava bem…eu mesma também não queria mudar nada a não ser a dor…mas fui eu quem fiz o plano de parto e lá estava o meu desejo de ficar em casa sem nenhuma analgesia ou outra intervenção. Cozinha, quarto, piscina, banqueta…fui revezando os lugares. Força Teresa, você consegue, Alice quer vir assim, você é capaz…tudo isso vinha na minha cabeça e me dava mais tempo. Às 17h resolvemos avaliar e eu estava com 8-9 de dilatação, precisava só apagar 1 dedinho do colo. Fui para o chuveiro pela 3a vez e, apoiada na bola em posição de 4, a água quente e o ambiente calmo me fizeram esperar mais 60min até que uma contração diferente fez Tamara chamar as outras pessoas. Rafael entrou no box atrás de mim e na próxima dor veio uma ardência mostrando que Alice estava nascendo…mais força, ardência e muito choro e emoção vieram juntos com a saída da Alice, amparada pelas mãos do pai que falava aos prantos: ela tá olhando pra mim, nossa filha, meu amor! Ah…aí foi só alegria! Por mais cansada que eu estivesse, todas aquelas 17h de TP tinham sumido e a felicidade de ter minha filha nos braços, perfeita, nascendo do jeito e no lugar que eu tanto quis, tomou conta de mim. Eu tinha conseguido, era mãe, era Foda! Nós tínhamos construído o parto domiciliar mais lindo que eu podia ter tido! Hoje…sigo no Netflix, mas acompanhado de fraldas, banhos de porta aberta e muito peito…afinal, agora sim minha vida tem sentido, agora sim tenho outra vida que depende de mim. E se antes eu comemorava o som da batida do coração, a imagem preto e branca do seu rosto ou cada centímetro e grama de peso ganhos na ultra, hoje comemoro cada xixi, cada cocô, cada soluço, cada sorriso dormindo, cada choro no banho e cada noite interrompida pela amamentação. Viva nossa Alice! Gratidão ao Fardo, gratidão à equipe Ohana, gratidão ao Dr Rodrigo e meu eterno amor ao meu parceiro de vida Rafael e à minha mãe exemplo Sônia por todo apoio, carinho e dedicação que tiveram comigo e Alice…sem vcs nada disso teria sido assim… perfeito!
