Esta é a página do projeto Pretas, Presente! Aqui vamos te contar o contexto e os objetivos do projeto, as formas de participação e como pessoas físicas e profissionais podem colaborar sendo parceiros do Projeto.
Temos no Brasil um cenário obstétrico bastante desafiador, caracterizado pela alta cobertura de pré-natal e a maioria dos partos realizados em hospitais, mas com uma assistência pré-natal com grande necessidade de melhoria, excesso de intervenções durante o trabalho de parto e da realização de cesáreas desnecessárias, ignorando as evidências científicas e recomendações dos órgãos de saúde e negligenciando os riscos à saúde de mães e bebês. Tal cenário, além de acarretar iatrogenias relacionadas à saúde, também submete as mulheres à violência no momento do parto, a violência obstétrica. Dados sobre Mortalidade Materna no Brasil mostram que nosso país mantém níveis elevados e que isto se relaciona com a qualidade da assistência ao pré-natal, parto e pós-parto.
Todas as mulheres estão sujeitas a vivenciarem tais experiências negativas na gestação e no parto e isso contextualiza a importância da doula neste cenário, apoiando gestantes e suas famílias na busca de informação, protagonismo e assistência de qualidade. No entanto, neste cenário, em um contexto de desigualdade social e racismo estrutural em nosso país, mulheres pretas e pardas estão mais sujeitas a sofrerem tais situações, a vivenciarem o racismo obstétrico e, consequentemente terem piores desfechos maternos e neonatais.
Diversos estudos na última década vem demonstrando disparidades raciais na assistência à saúde e um estudo da pesquisa Nascer no Brasil (Leal et al, 2017) trouxe que mulheres pretas e pardas, em comparação com mulheres brancas tiveram mais chance de ter um pré-natal inadequado, de não ter acompanhante no parto, além de receberem menos orientação sobre o início do trabalho de parto e sobre possíveis complicações na gravidez. Outros fatores evidenciaram uma diferenciação no cuidado recebido por mulheres pretas e pardas, sendo mais inadequado para estas mulheres. Um destes fatores, mais emblemático, foi sobre menor uso de analgesia em mulheres pretas, possivelmente vinculado a percepções dos profissionais sobre maior resistência à dor entre mulheres pretas. Por fim, os indicadores de saúde são piores entre mulheres pretas e pardas.
Assim, como mulheres que lutam pelos direitos de outras mulheres, com um olhar para estas questões, temos como principal objetivo do projeto a ampliação do acesso de mulheres pretas à informação de qualidade, escuta e acolhimento através da assistência de doulas. Essa proposta também tem como objetivo transformar positivamente suas experiências da gestação, parto e pós-parto e reduzir os impactos da violência obstétrica e do racismo, contribuindo para melhores desfechos maternos e neonatais e indiretamente, na redução da razão de mortalidade materna em nosso país.
Referências bibliográficas:
Leal, M. C., Gama, S. G. N., Pereira, A. P. E., Pacheco, V. E., Carmo, C. N., Santos, R. V. A cor da dor: iniquidades raciais na atenção pré-natal e ao parto no Brasil. Cad de Saúde Publica, 2017; 33 sup1.
Como funciona?
Acompanhamento de Doula
Curso de Preparação para o Parto Avulso
Consulta de Educação Perinatal
Consultoria em Amamentação
Consultoria de Primeiros Cuidados com o RN
Como participar
Se você é uma gestante preta e deseja participar acessando estes serviços, faça contato através do link do WhatsApp e informe seu desejo em fazer parte do Projeto. Clique aqui.
Como Doar
Se você quer ser parceiro nessa causa e deseja fazer uma doação, você pode entrar em contato diretamente através do link do WhatsApp aqui na página.
Qualquer valor é muito bem vindo!
Como ser profissional parceiro
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Mais de 40 mulheres já passaram pelo Projeto participando dos cursos e consultas, ou sendo acompanhadas por uma doula durante a gestação, parto e pós-parto.
Faça parte dessa luta e nos ajude a tecer essa rede de apoio entre mulheres!
Relatos de Partos
Ebla
“Que sensação maravilhosaaaaa!
Nunca senti nada parecido. Uma emoção que não dá pra explicar. Estava em êxtase! Aproveito tbm para agradecer as doulas desse coletivo que me encorajaram a viver esse momento de plenitude. Me ensinaram que o parto era MEU e me deram todas as ferramentas para fazê-lo com amor e respeito.”
Chá de Bençãos
O Chá de Bençãos é um momento onde a mulher grávida, junto com suas crenças, tradições e pessoas queridas, é abençoada. É onde ela experimenta a gravidez, o parto, e a chegada da maternidade como uma transição sagrada e apesar do nome, o Chá de Bênçãos não é um evento religioso.
O Chá de Bênçãos é um dia em que todas nós nos dedicaremos àquela mulher que carrega seu filho no ventre ao contrário do chá de bebê, quando a concentração principal é nos convidados e nos presentes.
Independente de qualquer crença, é fato que a grávida precisa sentir-se amparada e fortalecida para esse momento tão especial que é dar à luz e nada melhor do que estar cercada por pessoas que a amam e que desejam o melhor para ela e para o bebê, não é mesmo?
O objetivo aqui, não é ganhar presentes, mas promover um momento de descontração e relaxamento com mulheres especiais e que inspiram a gestante. Tudo será feito para que ela receba apoio, se entregue ao carinho e possa encontrar a sua força.
É dia de todas as mulheres vivenciarem o cuidado por outras mulheres e juntas nos fortalecermos, nutrirmos umas as outras (mas principalmente a gestante) com palavras de incentivo e carinho.
O Fardo de Ternura oferece isso como um serviço e além de ajudar na organização vai até o local no dia para mediar o evento.










