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Casa de Ternura - Acolher, apoiar e potencializar a sua história. A Casa de Ternura é um espaço de assistência à família da gestação ao processo de desmame.
Relatos de Parto

Karine Vasquinho

Relato de Parto - Karine Vasquinho

Olá, mulheres!

Meu bebê completou 2 meses essa semana e sinto que já está mais que na hora de trazer o meu relato pra vcs…

RELATO DE PARTO – Karine

Nascimento do Bernardo em 10/12/19

A maioria não deve lembrar de mim, pois entrei para o grupo com 36 semanas de gestação, um pouco incerta ainda sobre o porquê de ter uma doula me acompanhando (por isso, cheguei quase aos 45 do segundo tempo)

E hoje posso dizer que sou muito grata por tudo que aprendi e recebi, apesar de pouco ter convivido com vcs e as maravilhosas do Fardo. E, claro, sei que foi uma escolha muito feliz a de ter a Renata comigo.

Na semana seguinte à roda de acolhimento de que participei, com 37 semanas e 2 dias, acordei com uma ardência/dor estranha na pelve. Passei o dia achando que podia estar com infeção urinária, mas após a consulta na emergência da maternidade, descobri que estava tendo contrações, ainda que indolores. Bateu um desespero! Como assim já estava com contrações?? Não estava preparada ainda! Passei a gestação inteira certa de que meu filho só nasceria em Dezembro, ou seja, com 40 semanas ou mais. As contrações começaram a ficar mais frequentes no fim da noite, mas ainda não sentia dor. Corri pra fazer meu plano de parto, pois é claro que nem tinha começado… minha reunião com a Renata havia acabado de acontecer kkkkk

Meu marido entrou em contato com ela, que nos orientou a monitorar pelo app. Após umas 2 horas de monitoramento, resolvi dormir e deixar rolar… afinal, seria acordada se fosse a hora.

No dia seguinte, as contrações ainda estavam lá, porém mais esparsas. Eram apenas pródromos, então.

Nos dias subsequentes, ainda sentia as contrações aumentando e diminuindo em certos horários, mas passei a ignorá-las.
Fiz a despedida da barriga já com 38 semanas e nada de Bernardo. Eu estava certa, ele não nasceria antes da DPP…
As contrações continuavam a ir e vir. Perdi o tampão mucoso umas 2 vezes nesse meio tempo, mas o TP não engrenou.
Enfim, dia 02/12 chegou, minha DPP. Eu pensava: “pode vir, meu filho, já é Dezembro!!”

Mas, quem disse que ele queria sair?? Hahaha Até então, eu estava conseguindo controlar a ansiedade… Mas, começou a rolar uma pequena frustração. Eu sempre me imaginei entrando em TP espontaneamente, mas tudo indicava que não ia acontecer… Fiz 4 sessões de acupuntura pra indução do TP nessa semana, descolamento de membranas, agachamento, bola e nada… A minha obstetra havia dito que o colo estava fino, apagado e centralizado, as membranas descolaram bem, tudo propício pra iniciar o TP. Mas, cadê Bernardo que não queria sair?? Conversei muito com ele, disse que estava tudo pronto e que ele já estava bem grandão, prontinho pra nascer.

No domingo, 08/12, passei o dia na expectativa. É hoje!! Kkkkk… lêdo engano! Eu querendo controlar o dia que ele ia nascer…aff
Dia 09/12. Havia combinado com a minha obstetra que iniciaria indução nesse dia, caso ele não nascesse antes. Estava completando 41 semanas de gestação. Já estava conformada com a indução e tranquila. Rezando pra dar td certo e acontecer rápido. Mas, algo me preocupava… 1 mês antes havia feito o último usg, com 37 semanas. Bernardo tinha 3200 gramas. Pelas minhas contas, com mais 4 semanas, ele já devia ter uns 4 kg ou mais. Senhor!!! Não vou dar conta disso!
Fui pra maternidade rezando literalmente pra ter até uns 3800 gramas…hahaha

CTG normal, segui para o usg. Peso estimado 3500 gramas… questionei a médica. Achava que algo estava errado. Ela refez, “roubando um pouquinho pra mais”. 3650 gramas foi o que ela achou. Continuei achando estranho, mas me agarrei àquele peso, afinal, era muito menos que 4kg!!

Seguimos pra indução. Às 16h, minha obstetra introduziu o medicamento. Tínhamos 24h para a indução “pegar”. Relaxei, comi, tiramos fotos…

Às 17h30, comecei a sentir uma cólica bem incômoda. Estava dando certo, enfim!!

A cólica me fazia ficar inquieta, já não conseguia mais ficar sentada. Fui pro chuveiro e já pedi à obstetra que me transferisse pra sala de parto da Perinatal. Hoje eu vejo que, talvez, tivesse sido melhor esperar um pouco mais pro TP engrenar mesmo pq eu teria ido pra banheira e pro ambiente do parto já em fase ativa. Acho que me precipitei um pouco achando que tudo seria bem rápido, já que a indução havia dado certo bem rápido tb…

Já na sala de parto, entrei logo na banheira. Eu podia sentir as contrações dolorosas, mas o que me incomodava mesmo era a dor lombar, intensa, contínua, sem folga. Mal sabia eu que iria piorar muito ainda..🤷‍♀️
Minha obstetra fez um toque: 2 cm. Não me preocupei com isso, pois havia lido e ouvido inúmeras vezes que a dilatação não é um parâmetro tão importante.
Quando a Renata chegou (acho que por volta de 19h30), porém, levei um balde de água fria…hahaha. Ela me falou que seria melhor sair da banheira pra caminhar, ficar na bola, fazer exercícios pra ajudar na progressão do TP, pois ainda estava na fase latente.
Como assim ainda estava na fase latente?? E aquela dor lombar que não me deixava pensar direito??

“Não vou aguentar”, pensei, já chorando e abraçando o meu marido.

Saí da banheira e caminhei, dancei, fiquei na bola. Lembro da Renata me falando pra me entregar pra dor, não resistir. E assim fiz, tanto que não consigo me lembrar de boa parte das coisas que aconteceram ali. A tal da partolândia…

Nas horas seguintes, a dor lombar era intensa demais, eu suava e vomitava muito, por conta da dor. Eu já não era eu, só ouvia vozes e via pessoas circulando pela sala, mas eu vivia meu mundo particular. Conversava com meu filho pedindo pra ele vir, perguntava pra Deus pq era tão doloroso trazer uma nova vida ao mundo… tantas coisas passaram pela minha cabeça, mas eu só tinha certeza de que não desistiria. Meu marido, minha mãe, a Renata e meus amigos (sou amiga de todos da equipe que fez meu parto) estavam ali e isso me deu força pra seguir. Ter a Renata comigo me ajudou muito nesse processo de concentração no que era importante. Eu sabia que tudo estava caminhando como esperado🙏🏻
Voltei pra banheira já com muitaaa dor. As contrações estavam ritmadas e frequentes. Eu não aguentava mais minha lombar. Pedi analgesia pelo amor de Deus! Mas, a enfermeira que faria a acupuntura pra analgesia já estava a caminho (ou assim me disseram… não tenho tanta certeza kkkkk), achei melhor esperar por ela.

Quando a acupuntura começou, senti algum alívio e achei que devia esperar pra ver como as coisas ficariam, se mesmo assim iria querer analgesia ou não.
Mas, logo depois, os puxos começaram. Era um sinal! Estava próximo do fim.
Achei melhor segurar a dor só na acupuntura mesmo pra não correr o risco de “interromper” o TP. Eu queria que acabasse logo.
Minha obstetra fez outro toque 4 cm. Mas, eu só focava nas contrações e nos puxos, me entreguei totalmente e só pensava que meu filho iria nascer logo.

Não sei quanto tempo fiquei ali. Era uma posição estranha, mas meu corpo me pedia pra continuar assim. A cada contração eu impinava o quadril e puxava a cama pra mim e gritava. Era algo com o um instinto animal mesmo e eu me sentia assim. E a Renata me incentivava: “isso, grita, bota pra fora”.

É engraçado perceber que tudo aquilo que ouvi sobre o TP, sobre a partolândia, é real, acontece mesmo, viramos fêmeas seguindo seus instintos pra parir…

Em algum momento minha obstetra sugeriu trocar de posição. Eu estava exausta já…suava feito louca, uma sede enorme devido ao calor e aos vômitos, pedia água toda hora.

Sentei na banqueta. Depois de alguns puxos, percebi que estava bem próximo, pois minha obstetra mostrava pro meu marido a cabecinha do Bernardo apontando no canal. Naquele momento comecei a pedir pro círculo de fogo, que eu tanto temia antes, chegar logo. Eu queria parir!!! Queria que terminasse, queria ver meu filho e acabar com a dor… “Vem círculo de fogo”, eu mentalizava. Então, ele veio… e, pelo menos pra mim, nem tinha tanto fogo assim… A dor lombar era muito pior…
Maravilha! Estava acabando! Mais umas duas contrações e a cabeça saiu. Meu filho estava nascendo! Na contração seguinte, fiz toda a força que podia e senti todo o corpinho dele passar pela vagina e… pronto!

10.12.19 às 01:57, eu pari o meu filho Bernardo!

A dor passou imediatamente e meu filho estava nos meus braços, olhinhos bem abertos olhando tudo e se encontrando com os meus. Nunca vou esquecer esse momento! Eu havia conseguido! Uma sensação maravilhosa!
Eu e meu marido ficamos com ele no pele a pele durante toda a hora de ouro. Ele mamou logo que nasceu, foi tudo como planejado, graças Deus! Foi uma experiência única!

E… adivinhem!! Eu estava certa de duvidar da usg (mas dei Graças a Deus por não saber antes…), Bernardo nasceu com 4095g!! Ainda bem que não desisti por conta disso.

Nosso corpo é muito capaz mulheres! Confiem em vcs e no processo!

E deixem que as coisas aconteçam como tem que ser… Nunca saberemos a hora certa pros nosso filhos nascerem, mas ela vai chegar, de um jeito ou de outro…

É isso… me sinto leve agora por compartilhar com vcs o meu relato.

Acho que ainda não tenho, até hoje, a dimensão de tudo que vivi naquelas horas… E nem sei se terei algum dia… foi intenso, visceral, transformador… E eu faria tudo novamente!

Beijos pra vcs e boa hora!!

PS: desculpem pelo texto gigante!! Me deixei levar pela emoção e me empolguei.

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