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Casa de Ternura - Acolher, apoiar e potencializar a sua história. A Casa de Ternura é um espaço de assistência à família da gestação ao processo de desmame.
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Casa de Ternura - Acolher, apoiar e potencializar a sua história. A Casa de Ternura é um espaço de assistência à família da gestação ao processo de desmame.
Relatos de Parto

Ana Carolina Assad

Relatos de Partos - Ana Carolina Assad

Parto da Ana Carolina Assad
Nascimento da Olívia
11/12/2018

Como sabem, estávamos com a casa em obras e, não aguentando mais, decidimos “invadir” a obra para que terminassem logo. Tipo forçando a barra total com os pedreiros. Assim, na sexta-feira, dia 07/12/18, obra “terminada”, fomos limpar e arrumar a casa, na medida do possível. Fizemos um mutirão, com faxineiras e familiares, ajudando a limpar e organizar as coisas. No sábado, dia 08/12/18, no final do dia, ao tomar banho, percebi um pouquinho de sangue na minha calcinha, era tão pouquinho que não dei atenção. Dia seguinte, mais trabalho braçal para ajeitar a casa… E mais uma vez percebi o sangue na calcinha. Dessa vez, fiquei mais alerta e falei com a Fernanda, porém sem quaisquer sintomas que precisasse de maior cuidado, no entanto completava 37s e 3d de gestação. Mas não dei tanta importância, estava bem, pensava que era por ter feito esforço com limpeza e arrumação da casa. Decidimos não dormir na nossa casa, voltamos para a casa da sogra, seria a noite derradeira lá! Juntamos os restos das nossas coisas que tínhamos deixado lá para levar para nossa casa no decorrer da semana. Fim de domingo, exaustos, fomos dormir, até porque, o trabalho nos esperava no dia seguinte.
Às 2h da manhã, senti minhas pernas molhadas, achei que tivesse feito xixi na cama. Choquei com essa possiblidade! Apesar dos escapes que vinha tendo ultimamente. Passei a mão entre as pernas e senti algo diferente, uma liquido mais viscoso. Um pânico tomou conta de mim! Respirei fundo e passei a mão novamente. Certeiro! Bolsa rompida! Acordei meu marido, pedi que visse, sonado, falou que tinha feito xixi na cama. Pedi que passasse a mão e ele também ficou tenso. Ficamos um olhando para o outro por um instante. Peguei o telefone e passei mensagem para Fernanda, minha doula ternura e para o obstetra, com foto da cama. Ambos pediram que ficasse tranquila, que tentasse voltar a dormir e no dia seguinte, após o café da manhã, veríamos o que faríamos, uma vez que tinha feio o exame para o estreptococo, na semana anterior, o resultado sairia dia 10/12/18, pela manhã. Assim, fui ao banheiro me lavar, quando jorra mais liquido pelo chão. Entrei em pânico! Mais por estar na casa da sogra, do que por ter tido a certeza de que minha bebê em breve estaria nos meus braços. Gritei baixo (se é que isso existe) pelo meu marido, para não acordar a sogra, que me ajudou a limpar o aguaceiro do chão de banheiro. Enfim, sem qualquer sinal de trabalho de parto, voltamos a dormir.

Ana Carolina Saad
Acordamos às 6h, ainda sem qualquer contração, achei que pudesse ir trabalhar. Mandei mensagem para o obstetra perguntando o que fazer. Já com o resultado do exame, pediu que fosse para o hospital, pois era positivo e precisaria ser administrado antibiótico para prevenir infecções no bebê. Em paralelo, falava também com a Fernanda, que com muito carinho me tranquilizava. Pediu que ficasse calma, que pegasse a mala da maternidade e documentos e fosse para o hospital. Quando me dei conta de que minhas coisas já estavam na minha casa, em Piratininga e, que as roupinhas da minha bebê (de 0 a 6 meses) estavam na casa da minha mãe, no Recreio dos Bandeirante – RJ, pois tinha levado para lavar. Mais uma vez o pânico me dominou. Fico desestruturada quando perco o domínio das coisas. Já tinha tudo esquematizado mentalmente, naquele final de semana, já na minha casa de vez, buscaria as coisinhas da minha bebê na minha mãe, montaria a minha bolsa e aguardaria a hora dela. Mas não foi assim, então me senti perdida, com isso, levei horas para me aprontar e sair de casa. Meu marido já tenso com minha lerdeza involuntária. Chegamos ao CHN – Complexo Hospitalar de Niterói, às 9h. A internação demorou muito, burocracia, talvez! Assim, o Dr. Phillipe começou o antibiótico antes mesmo de conseguirem um quarto. Às 13h, estava no quarto 908. Até aquele momento, nada de trabalho de parto. Nos foi explicado as condições, no caso de bolsa rota, 24h para entrar em trabalho de parto, senão teria que induzir, como minha bolsa rompeu às 2h, teria que escolher entre a indução antes de completar 24h, com o risco de falhar ou após, com o risco da infecção. Escolhi aguardar a manhã seguinte. O médico foi embora. A Fernanda foi me ver no hospital e carinhosamente me tranquilizou mais uma vez, me trouxe essências, óleos para massagem, ensinou meu marido manobras para aliviar dor caso fosse necessário e muito conversa para descontrair. Por incrível que pareça, estava apreensiva, claro, mas muito bem assistida e isso me dava calma ao mesmo tempo. Todas as rodas do FARDO foram esclarecedoras e não me senti no escuro, sabia cada passo que estava por vir. GRATA POR ISSO! Até as 19h, nada de contração. Quando me sugeriram a acupuntura. De pronto! Durante a sessão, tive 3 contrações. Fui dormir as 23h, sem mais nenhum outro sinal de contração. As 1:30h deram sinal. Acordei meu marido. Ele baixou um aplicativo para marcar as contrações. Avisamos ao médico e a Fernanda. Suportei até umas 4h da manhã, quando sem posição, pedi para meu marido ligar para Fernanda. Rapidamente ela chegou! As contrações estavam de 5 min em 5 min e mais fortes. Em algum momento não conseguia mais ouvir o que a doula e meu marido falavam. Acho que entrei em alfa com as contrações se intensificando. De repente, vi Dr. Phillipe na minha frente. Tive um surto interno, tipo eu comigo mesma e Irene, sabe? Ali, naquele instante, pirei, pois sabia que estava perto de ter minha bebê. Quase 7h da manhã, do dia 11/12/18, o médico fez o primeiro e único exame de toque, perguntou se queria saber quanto tinha de dilatação. Com medo, preferi não saber, mas que poderia falar para meu marido (estava com 7 de dilatação). Assim, pediu que fossemos para sala de parto. Já na “sala de parto adequado” (nomenclatura dada pelo hospital), fui direto para banheira, a água quente aliviava bastante as dores das contrações, que àquela altura já estava no meu limite. Fiquei por um bom tempo dentro da banheira. Segundo a Fernanda, minhas contrações estavam ritmadas (de 3 min e 3 min), mas pareciam uma eternidade para mim. Exausta, dormia nesse curto período entre as contrações. Cansada, aceitei a sugestão de mudar de posição. Sai da banheira e fui para o espaldar (barras fixadas na parede). Me agarrei e fazia movimentos de agachamento. Logo senti uma vontade de fazer força. De repente, surge uma banqueta, me sento e, em seguida, um ruído vociferava de dentro para fora. Minha menina dando sinais de que estava chegando. Mais uma vez, gritei! E ela saiu, pela metade. Apenas a cabecinha. Me frustrei, queria logo comigo, então, quando na contração seguinte, ela chega aos meus braços pelas mãos do meu marido, que bravamente ficou o tempo todo ao meu lado, sofrendo comigo, torcendo por mim, vibrando por nós. Ele foi tão guerreiro quanto me senti quanto pari. Descobri em mim uma força que jamais imaginei. Tive medo?? Sim, claro! De que? De não ser como gostaria, como imaginei, de ceder a dor, de ser fraca. Mas, logo percebi que esses sentimentos tinham ficado para trás, que não me rodeavam dentro da sala de parto. Foi um parto vaginal, sem qualquer intervenção. Foi um parto lindo, intenso e emocionante. Tive a minha hora de ouro. Minha bebê logo abocanhou a minha mama direita. Nasceu às 10:34h, com 51 cm e 3,300Kg. Uma perfeição divina, como jamais imaginei.
Ana Carolina Saad

Aproveito para registrar minha GRATIDÃO a toda equipe do Dr. Phillipe, as meninas do FARDO DE TERNURA, em especial minha doula ternura FERNANDA e a fotografa, que foi quase invisível na sala e que fez imagens lindíssimas Anamel Castro.
Agora estou numa outra fase, meu puerpério tem sido tranquilo, com muito apoio e ajuda do meu marido e da minha mãe. Mi sinto fragilizada, sim, mas realizada. Estou numa batalha para o aleitamento exclusivo, mas é assunto para outro momento.
Me despeço na certeza de que fiz o meu melhor, com as melhores pessoas ao meu redor.

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